A decisão da USP de abrir cotas raciais e sociais em seu processo seletivo não agradou os homossexuais que se sentiram excluídos e querem também obter a reserva de vagas para vestibulandos declaradamente homossexuais.

Em decisão inédita, o Conselho Universitário da Universidade de São Paulo (USP) aprovou, nesta terça-feira (4), a reserva de vagas para alunos vindos de escolas públicas e autodeclarados pretos, pardos e indígenas (PPI) nos cursos de graduação a partir do próximo ano. É a primeira vez que a USP irá adotar um sistema de cotas sociais e raciais.

A reserva para alunos de escolas públicas será feita de forma escalonada já a partir do ingresso de 2018, quando serão reservadas 37% das vagas de cada Unidade de Ensino e Pesquisa; em 2019, a porcentagem deverá ser de 40% de vagas reservadas de cada curso de graduação; para 2020, a reserva das vagas em cada curso e turno deverá ser de 45%; e no ingresso de 2021 e nos anos subsequentes, a reserva de vagas deverá atingir os 50% por curso e turno.

A decisão não agradou em nada os grupos de defesa dos homossexuais. Fernando Gottardi Neves, presidente da ONG Homoafetivismo Brasil, afirmou que “é uma palhaçada sem tamanho. Por que só os negros possuem reserva de vagas? E nós homossexuais? Vamos ficar de fora outra vez? Queremos pelo menos 25% das vagas para gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros”.

Para Fernando Gottardi “é muito mais difícil ser gay na escola do que ser negro”. A afirmação do presidente da ONG Homoafetivismo Brasil está baseada nos episódios de bullying e violência. Segundo ele “o menino gay apanha tanto dos coleguinhas na escola que acaba desistindo de estudar. O homossexual que termina o Ensino Médio nem deveria fazer vestibular, deveria ser um prêmio pela bravura de ter sobrevivido a pelo menos 11 anos de violências reais e simbólicas por parte de professores e alunos”.

O que os movimentos sociais precisam estar atentos é a matemática básica. Se os negros ficarem com 50% das vagas e os homossexuais com 25% sobrará apenas 25% das vagas para brancos, ruivos, albinos, orientais, heterossexuais e assexuais. Será justo com estas outras categorias?

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