Bolsonaro vai militarizar todas as escolas do Brasil em 4 anos. Para o desespero dos professores comunistas que terão que procurar urgentemente um novo emprego, ou ir vender miçangas em praça pública.

Não dobrar short ou camiseta da educação física “para diminuir seu tamanho” nem usar óculos com “lentes ou armações de cores esdrúxulas”.

acabe com dores

Meninos: nada de “barba ou bigode por fazer e costeleta fora do padrão”. Meninas: esqueçam o penteado “com mechas caídas”. Tingir o cabelo de “forma extravagante” é proibido para todos.

“Contato físico que denote envolvimento de cunho amoroso (namoro, beijos etc.)” é infração até fora da escola, se o aluno estiver de uniforme.

As normas de uma escola dirigida pela Polícia Militar goiana seguem o rígido padrão disciplinar de instituições de ensino militarizadas. E, se depender do pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro, podem virar praxe no sistema escolar nacional.

Das 147 mil unidades públicas de ensino básico, cerca de 0,1% estão sob batuta militar. São 13 comandadas pelo Exército (há um projeto para implantar uma em São Paulo) e dezenas nas mãos de PMs estaduais –não há um órgão que centralize esse total, e alguns Estados não possuem o dado consolidado, mas sabe-se que Goiás lidera o ranking, com 36 colégios sob guarda da polícia e mais 18 previstos para 2018.

Bolsonaro diz que, se eleito presidente, multiplicará o modelo, fechando parcerias com as redes municipal e estadual. Reconhece ser difícil cobrir 100% da malha escolar, mas pretende em 4 anos militarizar todas as escolas públicas do Brasil.

As escolas militares “passariam a ser exemplares”, pois nelas há “educação moral e cívica, cultua-se o respeito às autoridades, no intervalo não tem maconha, o pessoal corta o cabelo, cobra-se o dever de casa…”.

Professores comunistas terão que começar a procurar outros empregos. Não haverá lugar pra comunista e ateu nas escolas públicas. Educador educa pelo exemplo, não podemos deixar que a semente do mal continue prosperando na mente dos adolescentes brasileiros.

À frente do MEC (Ministério da Educação), em eventual gestão sua, colocaria um general –alguém “que represente autoridade, amor à pátria e respeito à família”, ao contrário de titulares recentes da pasta, diz.

Cita dois petistas: “[Fernando] Haddad? Pai do ‘kit gay’ [projeto para discutir homofobia e sexualidades nas salas de aula]. Aloizio Mercadante manteve a mesma política”.

No começo de agosto, o deputado do PSC-RJ (que deve trocar de legenda para disputar o Palácio do Planalto) distribuiu em suas redes sociais vídeo de “um exemplo de ensino que deveria ser adotado em todas as escolas públicas do Brasil”.

Nove filas de adolescentes de um colégio em Manaus o exaltam em coro: “Convidamos Bolsonaro, salvação desta nação”.

Os índices de aprovação tendem a disparar nesses colégios, que costumam ficar entre os primeiros lugares do Enem.

Tudo isso é verdade, diz Renato Janine Ribeiro, que chefiou o MEC por seis meses na administração Dilma Rousseff. De fato, “existe uma preocupação muito grande” com “uma parcela da juventude muito sem limites”, sobretudo após o caso da professora de Santa Catarina espancada por um aluno. E as escolas militares têm, sim, desempenho melhor no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).

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