Na semana passada uma carreta desgovernada acertou frontalmente um ônibus de viagem e muitos passageiros morreram incendiados. Enquanto alguns agonizavam estendidos no asfalto quem podia ajudar ignorava a dor e o sofrimento das vítimas e faziam fotos e vídeos para compartilhar no whatsapp e facebook. Onde foi parar a solidariedade humana? Uma curtida vale mais que uma vida?

 “Corri pedindo ajuda, mas muitas pessoas eu via só filmando, tirando fotos e não ajudavam”. O desabafo é de Fabiana Silva, 31, uma das sobreviventes do acidente envolvendo um ônibus da Viação Águia Branca, uma carreta, uma mini-van e uma ambulância, na última quinta-feira, na BR 101, em Guarapari. Fabiana saiu praticamente ilesa, mas o marido, o gesseiro Fernando de Souza Dias, 36, acabou morrendo.

acabe com dores

Ela lembra que o marido estava encostado no ombro dela no momento da batida. “Foi na hora que eu ouvi o barulho do freio, a explosão e o fogo vindo. Quando eu vi o fogo, olhei para o lado e vi que ele não estava. Vi os corpos e algumas pessoas saindo queimadas. Como o fogo estava se alastrando, comecei a correr desesperada, pulei no barranco e comecei a gritar”.

Fabiana conta que os momentos após o acidente foram angustiantes, já que ela ouvia o marido gritar por socorro, mas não tinha condições de ajudá-lo.

“Ele foi arremessado para perto de uma árvore, onde estava parte do ônibus pegando fogo. Não tinha como eu passar. Eu falava: ‘Fernando’, e ele respondia: ‘Me tira daqui, eu quebrei uma perna e um braço. Preciso criar meus filhos’. E eu não consegui tirá-lo de lá. Corri pedindo ajuda, mas muitas pessoas eu via só filmando, tirando fotos e não ajudavam”

Fabiana e Fernando eram casados há três anos, e vieram ao Espírito Santo para o enterro da avó de Fernando.

No total 23 pessoas morreram com o acidente, sendo que o último sobrevivente faleceu neste fim de semana. Segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), 10 corpos foram identificados e liberados até agora. Doze foram encaminhados para exame de DNA e apenas duas famílias ainda não fizeram a coleta de material. Os exames também podem demorar 30 dias. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, três pessoas ainda estão internadas: uma permanece em estado grave e outra está estável e um outro paciente foi transferido para a rede particular.

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